Hipertensão Arterial

27 abril, 2020

Dados mais recentes estimam que até 1/3 dos Brasileiros são hipertensos.

De todos os hipertensos estimados na população, 1 a cada 4 pessoas não faz idéia que é portador de uma doença que mata silenciosamente!

A doença pode levar ao derrame cerebral, infarto agudo do miocárdio e morte súbita.

O diagnóstico não é tão simples, e envolve medidas de pressão ao longo de 2 consultas. Além disso, a causa do problema pode estar em outros órgãos: doenças na tireoide, rins, adrenal e até na aorta podem ser responsáveis pela hipertensão arterial..

Por fim, o bom manejo não é comum: Estima-se que só 10 -35% dos hipertensos sejam bem tratados..

Procure um bom cardiologista para se prevenir e tratar-se da melhor maneira possível.


Fonte: 7a Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial

 

Os benefícios do Óleo de Oliva - Como não esquecer do coração em tempos de crise

27 abril, 2020


Em tempos de pandemia é importante lembrarmos que as escolhas que fizermos agora vão repercutir em nossa saúde mental e fisica. As pessoas descobrem que, se tivessem hábitos mais saudáveis ao longo dos anos, estariam sob menor risco de adoecer!

Óleo (Azeite) de Oliva é rico em gordura monoinsaturada, especialmente o ácido oléico. Benefícios incluem redução do risco de diabetes, hipertensão, infarto e AVC.

Este estudo, publicado no Journal of American College of Cardiology, revista de MAIOR IMPACTO em Cardiologia, perguntou: Será que trocar gordura saturada ("ruim" - manteiga e margarina) por insaturada ("boa" - oliva) reduz risco de infarto, AVC ou morte por doença cardiovascular? 61.181 mulheres e 31.797 homens foram avaliados com questionários alimentares ao longo de 24 anos. .


Nesse período, o consumo médio de óleo de oliva passou de 1.3g/dia para 4.2g, e o consumo de gordura saturada diminuiu. Ingerir ao menos 4.5g ao dia de óleo de oliva - 1 colherinha de chá - reduziu 14% do risco cardiovascular. É menos um evento a cada 7. Constatou-se que cada 5g a + de óleo de oliva ao dia, caiu 19% do risco de desfecho fatal (um a cada 5 infartos, AVCs e mortes).

Houve correlação entre ingesta de gordura monoinsaturada e redução de parâmetros inflamatórios: IL-6 (um dos alvos contra o #covid-19 ), LDL ("colesterol ruim") e moléculas pró-trombóticas/coagulantes (outro alvo em estudo contra o #coronavirus ) - Viu como é importante prevenir??

Houve correlação entre óleo de oliva e aumento do HDL ("colesterol bom"), e os benefícios aconteceram tanto em descendentes da Europa mediterrânea quanto em pessoas sem esta ancestralidade. Ou seja, o benefício não é genético, é de hábito.


Por fim, apesar de ser uma gordura, NÃO houve aumento de peso ao se adicionar oleo de Oliva, por conta da adoção de uma cadeia de hábitos saudáveis.



Conclusão: Prevenir continua sendo melhor que remediar, e nada melhor que tempos de crise para nos mostrar o que fazer para sermos mais saudáveis!

Agende sua consulta conosco.

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Coronavírus: um texto diferente.

18 março, 2020

Aos meus pacientes:

Algumas pessoas solicitando atualização - do ponto de vista médico - sobre o COVID-19, então resolvi postar hoje.

Baseado nos dados até 19h de 18/3 do MS e do SCIH do H. Albert Einstein


Ate o momento parecem ter mais de 428 casos confirmados de coronavírus no BR.

Digo parece, pois esse numero pode ser muito maior. O que acontece é o seguinte:


Nessa semana mudou o criterio para notificação de caso suspeito. Antes, qualquer pessoa voltando de viagem com sintomas respiratorios ou febre entrava como caso suspeito, e era notificado. Tambem, aqueles apenas com sintomas respiratorios que relatavam contato com caso suspeito era notificado. Nada do que era relatado (viagem, contato com suspeito) tinha que ser checado, apenas notificado.

A capacidade de testar os pacientes saturou e, com a primeira transmissão interpessoal dentro do Brasil, mudou o criterio de notificação. Agora, só casos graves, internados, são notificados.


Perderemos o parâmetro da infectividade e letalidade da doença.


Só os internados e, por consequencia, os mais graves, serão notificados. Os mais leves (até 80% dos casos) não serão mais reconhecidos como COVID-19, perderemos este diagnostico.


Existiam várias correntes de pensamento no meio médico. Algumas, favoráveis a testar todos e ampliar o conhecimento sobre a doença às custas da eventual falta do exame para os mais graves caso haja procura ampla e desnecessária ao teste diagnostico em regime de urgência. Outras, recomendando testar só os graves, para dar nome e sobrenome à causa do problema internado no leito "X" do hospital e proteger a equipe assistente, às custas da detecção aquém da realidade na população e falta de dados fidedignos sobre o comportamento do vírus no BR.


Cada uma das estratégias de testagem não é necessariamente certa ou errada, e estamos decidindo com base em consenso de especialistas. Portanto, a segunda corrente está na frente agora, após a primeira corrente ter predominado nas primeiras duas semanas de disponibilidade do teste.


Sim, sabemos que não há tratamento especifico para a doença.  Aí temos que lembrar que temos instituições com diferentes perfis de pacientes.


Tem hospitais gerais e hospitais especificos. Existem até redes de saúde só para crianças, só para idosos.

Existe o SUS e o privado.


Preparem-se para muita desinformação e desencontro nos proximos dias. Surgirão muitos boatos, textos apocalípticos, de teoria da conspiração, de negação.

Lembrando que os estágios do luto são cinco: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação.

Estamos ainda entre negação e raiva, e passando em alguns Estados e cidades, para a barganha (o quanto vale a pena perder para controlar a doença?)


A aceitação ainda está longe, ainda há um longo caminho de conhecimento, educação e disseminação de informação.


Para enfrentarmos a doença a nivel pessoal, esqueça numero de casos suspeitos, confirmados, internados, óbito. Esses numeros estão distorcidos antes de serem analisados. 


Quando mudou o criterio de notificação, deixamos de notificar, cada medico, 20 casos ao dia, no minimo. 

Ja contei 1h30 por dia apenas preenchendo ficha de notificação, e agora nao preenchemos mais.

Ainda tem 5 a 7 mil testes rodando nos laboratorios particulares graças ao amplo criterio antigo, porem, após o resultado destes, o numero de casos novos deve cair, pois só os internados serão diagnosticados.

Muita gente que mandamos ir para casa direto do pronto atendimento poderá ter o virus e nunca ficar sabendo.


Também eu, meus colegas, os funcionarios do hospital, as pessoas que trabalham ao redor do hospital, os moradores do bairro, seus parentes de outra cidade que vieram visitar no final de semana, etc... talvez nunca saberemos a real dimensão em nossa população.


Por isso, o que eu não vou fazer:

Não vou ficar ansioso com a contagem de casos suspeitos ou confirmados nos próximos dias. Tem muito exame antigo rodando, e provavelmente 80% destes pacientes já está melhor ou curado. Na minha opinião, é um massacre psicologico ficar em cima dessa contagem.

Não vou ficar desesperado por uma cura, uma vacina, um remedio milagroso a ser anunciado nos proximos dias por uma companhia americana ou japonesa, pois pode se revelar um fracasso. Temos que ser realistas.


Infelizmente, é uma pandemia, e o alvo dela são idosos com doenças cardiacas e pulmonares. 

O melhor que podemos fazer é ficar em casa o quanto puder seguindo as recomendações governamentais, não pensando em nós, mas nos outros. Os doentes suscetíveis.


Estamos conhecendo a doença ainda, como se comporta na população brasileira. Por ora, melhor não dar chance ao azar. Depois, em algum momento, voltaremos a vida normal. 


Infelizmente, sim, haverão mais noticias de óbito pela doença, assim como sabemos que o H1N1, sarampo, pneumonia bacteriana, matam diariamente. 

Lamentável, e isso tem que nos lembrar de fazermos nossa parte. Colaborar com higiene e isolamento voluntário, sem entrar em pânico ou modo apocalipse. Uma hora, que ninguem sabe quando vai ser, os casos vão diminuir e o terror vai passar, e pode ser que antes disso tomemos mais alguns sustos. 


Temos que ser fortes psicologicamente. Haverão boatos, haverão audios e mensagens no whatsapp sobre numero de internados, numero de pacientes em estado grave, numero de pacientes intubados, numero de obitos, que o famoso X está infectado, que o politico Y está com sintomas, etc... Tenho certeza que as pessoas que encaminham isso tem boa intenção, mas talvez isso mais atrapalhe do que ajude. O que eu posso fazer como médico e cidadão estou fazendo, faça você também, mesmo que seja ficar em casa, e se todos fizermos nosso dever será menos traumático.


Sairemos mais fortes dessa, como sociedade, se ao sobrevivermos, alem do vírus, ao massacre psicológico e burnout causado por uma situação de crise humanitária e financeira, e ao final tivermos a consciência limpa de termos pensado na sociedade, naquele que não conhecemos e de termos ressignificado a presença das pessoas que amamos em nossas vidas.


Dr. Marcelo Bettega é cardiologista e clínico geral do Instituto do Coração da FMUSP e do Hospital Israelita Albert Einstein. 


CRM 165319 / RQE 76999

End: R. Joaquim Floriano, 413 - Itaim Bibi/SP / Av. Angélica, 2491 - Higienópolis/SP

contato@bettegacardiologia.com.br

11-3230-5501 / 11-95325-9742


*Texto exposto neste link não representa posição oficial ou recomendação de nenhuma instituição de saúde, sendo de minha responsabilidade e visando população não-médica.

 

Coronavírus: ameaça já está entre nós.

26 fevereiro, 2020

Ontem foi confirmado o primeiro caso suspeito do novo coronavírus no Brasil, em São Paulo. O caso está em internação domiciliar.

O que muda para nós?

O novo coronavírus (COVID-19) é um vírus do tipo RNA (como o HIV), infecta mamíferos e aves, com potencial para disseminação entre humanos e, portanto, possibilidade de surtos.

Um vírus tem se espalhado rapidamente pelo mundo. Inicialmente, ele estava cercado de mistérios e se concentrava na Ásia. Aos poucos, conforme ele se dissemina pelo planeta, estamos descobrindo novas informações a seu respeito: é um novo coronavírus, tipo de organismo RNA que infecta mamíferos e aves, com potencial para disseminação entre humanos e, portanto, possibilidade de surtos.

Surgiu em 31 de dezembro de 2019, quando a OMS foi informada de um conjunto de casos de pneumonia de causa desconhecida, detectados na cidade de Wuhan, na China, que tem 11 milhões de habitantes.

Denominado inicialmente 2019-nCoV, foi identificado pelas autoridades chinesas em 7 de janeiro de 2020.

No dia 11 de fevereiro de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) determinou que será COVID-19 o nome da doença respiratória causada pelo novo coronavírus.

Até o momento, não sabemos qual foi o animal transmissor. Os maiores suspeitos são cobras e morcegos.

A doença pulmonar é similar às duas doenças relacionadas com os coronavírus, a SARS e a MERS. A SARS também começou na China e se espalhou, assustando o mundo todo. O outro coronavírus surgiu em camelos e causou diversas mortes, principalmente na Arábia Saudita. Os surtos foram em 2003 e 2011.

Sobre a transmissão, o vírus é extremamente contagioso e costuma ser transmitido por meio de gotículas expelidas por tosse, espirros e saliva.

Os sintomas são inespecificos: febre, falta de ar, cansaço, indisposição, podendo evoluir para pneumonia e falência dos rins, além de insuficiência respiratória aguda nos casos críticos.

Mais de vinte e cinco países já confirmaram casos da doença: China, EUA, Canadá, Alemanha, Itália, França, Austrália, Coreia do Sul, Japão, Suécia, Tailândia, Malásia, Nepal, Camboja, Vietnã, entre outros.

Neste momento, na Italia, temos 322 casos confirmados, com 4 mortes.

E no Brasil?

Após a confirmação do primeiro caso, no dia 25/2, esse número pode aumentar exponencialmente nas proximas horas ou dias.

Medidas de saúde pública

A contenção chinesa da SARS, também causada por um coronavírus, funcionou muito bem e os chineses estão colocando em prática a experiência adquirida anteriormente ao isolar pacientes e bloquear o contato. O uso de máscaras respiratórias também passou a ser obrigatório na cidade de Wuhan.

É importante ressaltar que, até agora, mais de 25 mil pacientes conseguiram se recuperar da doença causada pelo vírus, cuja taxa de letalidade parece ser inferior à da SARS, por exemplo.

Infelizmente, não há tratamento especifico, e o manejo consiste em isolamento dos casos suspeitos, tratamento de sintomas e rastreio de complicações, com suporte clínico nos casos extremos, incluindo internação em UTI.

Casos suspeitos

Até o momento, para a suspeita diagnóstica pelo novo coronavírus é muito importante o antecedente de viagem à área de transmissão da doença na cidade de Wuhan (província de Hubei) nos últimos 14 dias, e também para países com casos confirmados, como Espanha, Italia, Austria, Alemanha, Coreia do Sul, Japao, Emirados Arabes, Filipinas, França, Irã, Tailandia, Vietnã, Singapura, com contato com doentes suspeitos ou confirmados pelo novo coronavírus, e com febre associado a falta de ar e/ ou tosse.

Também é importante ressaltar que a taxa de mortalidade é preocupante naqueles muito idosos e com condições preexistentes: Acima de 80 anos, a taxa é de 14.8 mortes a cada 100 pacientes.

Abaixo de 60 anos, essa taxa cai para 1.3% de fatalidades. Ainda, abaixo de 40 anos temos uma letalidade de apenas 0.2%. Lembrando que são dados preliminares, baseados em estatísticas predominantemente vindo da China, que podem ser modificadas após a chegada do vírus no Ocidente.


Veja abaixo dados sobre mortalidade publicados pela OMS:








Para se prevenir, medidas padrão e algumas especificas devem ser realizadas:


Lavar as mãos sempre após contato com pessoas com sintomas suspeitos e após frequentar locais publicos com aglomeração.


      Utilizar alcool gel ou sabão.


Ao tossir, cobrir boca e nariz, lavando as mãos na sequência.


Evitar contato com pessoas sintomáticas (febre, tosse, falta de ar)


Não compartilhar itens de uso pessoal, como talheres, toalhas, copos ou pratos.


Manter ambientes bem ventilados – uma janela aberta é suficiente.


Evite levar as mãos à boca, olhos e nariz.


Evite contato com animais selvagens ou doentes, em areas rurais ou fazendas


Evitar consumo de carne crua.


Dirigir-se ao pronto-atendimento se sintomas suspeitos: febre, falta de ar, cansaço, indisposição.


Fontes: Ministério da Saúde, Organização Mundial de Saúde (OMS)


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Dr. Marcelo Bettega é cardiologista e clínico geral do Hospital Israelita Albert Einstein.

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3 sinais indicativos de doenças cardíacas que você pode observar em casa

7 fevereiro, 2020

Algumas vezes, basta um simples olhar para diagnosticarmos condições clínicas importantes. 

Nesse sentido, vale muito a formação e experiência do médico.

A verdadeira medicina está nos detalhes!

Familiarize-se com algumas dessas alterações abaixo:


1) Sinal de Frank: Prega diagonal nas orelhas, descrita pela primeira vez em 1973 por Dr. Sanders T. Frank, como um marcador de doenças das coronárias. Esta alteração faz parte de uma coleção de sinais dermatológicos  que poderiam auxiliar no diagnóstico precoce de doenças cardíacas (ver abaixo xantelasma). O embasamento teórico utilizado por Frank decorre de um estudo em que se verificou que 95% dos pacientes com tal prega apresentavam um ou mais fatores de risco para coronariopatias, incluindo tabagismo, hipertensão arterial sistêmica, síndrome metabólica, dietas ricas em colesterol, gorduras saturadas e sódio e, pobres em fibras evitaminas. O sinal de Frank é mais específico e sensível para coronariopatias em pessoas mais jovens, já que à medida que o indivíduo envelhece ocorre enrugamento progressivo da pele, com maior probabilidade do surgimento de pregas cutâneas no rosto, pescoço e orelhas.

Fonte: RODRÍGUEZ-LÓPEZ, Claudia et al. Earlobe Crease Shapes and Cardiovascular Events. The American Journal of Cardiology, v. 116, n. 2, p. 286-293, 2015.


2) Estase jugular: A veia jugular externa ingurgitada pode ser observada com o paciente a 30 ou 45 graus de decubito, ou seja, quase sentado. Como normalmente não observamos esta estrutura anatômica, o fato de estar visível à inspeção do paciente traduz uma dificuldade do coração direito (atrio e ventriculo direitos) de bombear o sangue em direção aos pulmões ou ainda um retorno de sangue do pulmão, que já está cheio de liquido, devido às camaras esquerdas estarem muito fracas. Cabe ao médico diferenciar entre insuficiência cardíaca direita ou esquerda e indicar o tratamento adequado. Ainda, a insuficiencia cardíaca do lado direito pode ser causada por problemas pulmonares, como bronquite ou enfisema graves e embolia pulmonar crônica. As possibilidades diagnósticas são imensas! Tomografia, ecocardiograma, cateterismo, exames de sangue muito específicos são recursos que ajudam a identificar a causa do problema. Mas, interessante o fato de tudo começar com um simples olhar, talvez até mesmo pelo próprio paciente ou seus familiares.

Fonte: Accorsi, Tarso Augusto Duenhas; Tarasoutchi, Flávio. Semiologia Cardiovascular. In: Martins, Mílton de Arruda; Carrilho, Flair José; Alves, Venâncio Avancini Ferreira; Castilho, Euclides Ayres de; Cerri, Giovanni Guido (eds). Clínica Médica [2ed. ampl. rev.], v.2: doenças cardiovasculares, doenças respiratórias, emergênciais e terapia intensiva. BARUERI: Manole, 2016. p.6-43.