OS NOVOS ANTICOAGULANTES ORAIS: NÃO É PARA QUEM QUER...

Os NOACs/DOACs vieram para reduzir a necessidade de monitorização constante da coagulação por meio de exames de sangue e também a restrição dietética que vem junto com o uso da varfarina. Alem disso, reduzem o risco de sangramento, pois são mais especificos, “diretos” – dai o nome DOACs.

Porém, devemos lembrar que eles ainda apresentam grandes chances de interações medicamentosas com determinadas classes, especialmente os anti-inflamatórios, e o risco de sangramento continua razoavelmente alto, ok?

Quem “precisa” de um anticoagulante assim, em Cardiologia, é quem tem arritmia que cause um trombo intracardíaco – como fibrilação atrial, flutter, taquicardia atrial – com alto risco de AVC, medido por um escore especifico que avaliamos em consultório ou no hospital antes de começar o medicamento.

Falado isso, quem “pode”, em 2021, fazer uso dos DOACs?

Hoje em dia, pessoas com essas arritmias citadas acima, ocasionadas por doenças cardiacas variadas, como cardiomiopatias (a exemplo de Doença de Chagas, doença isquêmica do miocárdio, doença hipertensiva, etc), pessoas com doenças valvares como #insuficienciamitral, #insuficienciaaortica, #estenoseaortica, e pessoas que fizeram cirurgia cardiaca com colocação de protese biologica valvar, ou ainda procedimentos transcateter (como #TAVI), são elegiveis.

A “novidade” mais recente é que pacientes com doenças valvares especificas, inclusive com protese biológica, podem ser avaliados para uso de DOACs. Até pouco tempo, estes pacientes tinham que fazer uso da varfarina exclusivamente.

Acho que isso responde as duvidas dos posts passados.

Tem dois grupos de pacientes, no entanto, que não são elegiveis para usarem DOACs ainda em 2021, e devem permanecer na varfarina até evidências mais robustas que permitem o uso dos mesmos nestes dois cenários.

Sabe quem são estes pacientes?

Referencia: Renda G et al. JACC. 2017. EHRA 2021.