Viralizou recentemente vídeo que circulou no WhatsApp e em outras redes sociais, em que um método supostamente revolucionário diz em tempo real qual o vírus que está acometendo a via aérea do paciente e provocando sintomas bastante triviais: coriza, obstrução nasal e dor de cabeça. O processo todo, seria conhecido como "biofeedback". 

O tratamento, direcionado com substâncias específicas para o vírus encontrado, proporcionariam alívio e cura IMEDIATOS!

O alarde ocorreu pois o fato foi reproduzido por uma celebridade das mídias sociais, e muitas duvidas foram dirigidas a mim e outros colegas médicos sobre a veracidade do tal método e a suposta "cura imediata" para algo que os médicos tem tanta dificuldade em ajudar seus pacientes: Nunca houve medicação que curasse gripe ou resfriado! Quanto mais, identificar o tipo do vírus em minutos, de maneira não invasiva e sem teste algum.

Minha formação em Clínica Médica e Cardiologia foi realizada em Instituições nos quais se pratica a medicina tradicional: Hospital das Clínicas e Instituto do Coração da Faculdade de Medicina da USP.

Nossa prática, minha e de meus colegas que encaminho pacientes e dos quais recebo casos, deriva da Medicina Baseada em Evidências (MBE), ciência que exclui o empirismo ("minha experiência pessoal mostra que..." , "eu faço assim porque é assim que aprendi e não sei jeito diferente", "prescrevo apenas o que gosto"), e só propõe recomendação de conduta a partir de evidências dispostas em estudos científicos, principalmente grandes trials e estudos randomizados. 

Nossa opinião: 

- A medicina tradicional praticada em São Paulo é a melhor do Brasil. As instituições hospitalares são as melhores do país e algumas batem de frente com as melhores instituições hospitalares a nível mundial.

- Estamos em uma era em que é possível obter comprovação científica de benefício clínico de qualquer medicação ou intervenção - e isso inclui o melzinho com própolis para gripe (sim, existe comprovação científica de eficácia), bem como temos a capacidade de excluir a necessidade de qualquer terapia adicional por ausência de benefício ou aumento de custo para o paciente e para o sistema.

Terapias podem, e devem, ser complementares, como Atividade física supervisionada, Homeopatia, Acupuntura,  Pilates, Psicoterapia, Dietas com base fisiológica, Suplementação de vitaminas quando há evidência de benefício clínico para tal. O médico que vos fala também faz uso da medicina tradicional e de terapias complementares, quando necessário.

Enfim, nunca podemos substituir os tratamentos comprovadamente eficazes por recomendações empíricas, opiniões duvidosas e promessas de retorno fantástico sem esforço - ("se você usar esse suplemento/manipulado, vai poder suspender todas as medicações que faz uso")

Frente a isso, recomenda-se: Procurar opiniões de profissionais de saúde (médicos, nutricionistas, enfermeiros, farmacêuticos, etc) bem formados e bem alinhados com a melhor prática de evidência científica.

Promessas de retornos espetaculares com terapia x ou y, ou de perda de tantos quilos com a mais nova dieta, ou ainda alarmes proféticos sobre medicações já há decadas consolidadas na medicina, devem ligar o alarme.

Procure:

1) A formação do profissional em questão - faculdade, residência médica, especializações - foi uma instituição conceituada ou um curso "pague e pegue"?

2) Registro no CRM das especialidades anunciadas - O conhecimento propagandeado condiz com registro profissional existente? Não é raro nos iludirmos.

3) Roger Scruton tem uma frase célebre: "O homem que diz que a verdade não existe está te pedindo para que não acredite nele. Então, não  acredite". Tradução: Se você ouviu falar que determinado medicamento ou procedimento fazem mal, mas você sai com uma receita imensa de suplementos carissimos para tomar, além da promessa que só através de tal método de dieta/emagrecimento você será saudável, desconfie, e cuidado.